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Lugar

Não estás, nunca, no lugar que sou

Vejo-te nos meus passados

Aqueles que vou desfolhando

Não és senão uma mancha de ontens esfarrapados

E manhãs sem luz na janela

Não estás nunca no lugar que sou,

Não agora, talvez nunca.

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Traição Mata

Vamos falar de traição. Vamos falar de traição porque é do que me apetece falar. Sendo que a verdade é que basta pronunciar a palavra traição que já oiço as vossas cabeças a murmurar: lençóis, esquinas, encontros, segredos, sensualidade, excitação e por aí fora até formular algumas cenas de sexo tórrido e insuportável de negar ao ponto de se ver repetido vezes sem conta, caso contrário, quase nem poderia contar como “traição”. Uma boa história de traição deste tipo acrescenta ainda amor à mistura, ou pelo menos a palavra, dúvidas, incertezas, muita loucura e respirações completamente ofegantes que deixam o cérebro bloqueado por excesso de oxigénio. 

Eu diria que traição está completamente relacionado com esta mesma falta de ar, mais concretamente oxigénio. Num mundo onde o oxigénio é o suporte de vida para o Ser Humano é, também por isso, que a falta dele nos leva à morte. A morte nem sempre é essa literal, afinal de contas, é preciso estar vivo para morrer, e o problema é que estar vivo é completamente diferente do que poderá ser para outra pessoa e isso leva-me à traição. 

Viver é para mim um êxtase tal que me inibe de consumir qualquer tipo de droga ou vício, porque a alegria é o tal êxtase contínuo e inebriante onde a morte não tem espaço. Com morte, posso mesmo dizer: vícios de qualquer tipo. Posso considerar que no momento em que alguém me vê a consumir chocolate todos os dias, vinho todos os dias, doces todos os dias, ou qualquer tipo de açúcar ou álcool em forma continuada e rotineira, nesse momento, posso dizer-vos estou a morrer. Porém, calma, se ainda circular ar em mim, é possível salvar-me desse estado catatónico que me leva à rotura de mim mesma. Posso assegurar-vos, contudo, que já não há oxigénio suficiente no meu cérebro e que estou a ser bloqueada. Como está isto tudo relacionado com traição? Fácil, o uso indevido da informação pessoal que partilho com alguém (segredos), a falta de lealdade na construção de um trabalho alterando o lado em que se está constantemente ou mesmo minar as minhas ações naquilo que chamo de dias (podendo ir para além desde tempo circunscrito) é espetar em mim uma faca virtual – como os abraços que damos atualmente – uma faca que me faz esvair e consumir vícios. Mesmo que os meus não sejam considerados pesados são demasiado pesados para mim. Ao ponto de afetar a permanência de oxigénio no sangue e consequentemente no cérebro. Vamos então falar de traição: a traição mata. No meu caso, ainda posso suportar a tal do sexo tórrido, sendo que a outra, aquela que retira a alegria do meu corpo e me vicia, com excesso de dióxido de carbono e ausência de oxigénio, essa? Mata mesmo.

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Nós em Nós

Não entendo

apenas sinto

Procurei-te onde não me achava

Achei-te 

como num plágio de mim 

Achei-me

como num plágio de ti.

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Princípio da Parcimónia

Conquistei a parcimónia, essa palavra que podia ser um princípio.

Onde não se complica o que é simples.

Onde se encontra magia no que de parco,

afinal, nada tem.